A redução das bolsas ofertadas para alunos de universidades públicas é um desfecho “cruel” da crise econômica no País, dizem cientistas

Sem a ajuda do Ministério da Educação (MEC), desde julho de 2016, as instituições de ensino federais e estaduais reduziram em até 99% o número de alunos enviados ao exterior até o ano passado.

Esse dado, na avaliação de especialistas, representa não só uma perda de experiência acadêmica para os estudantes, mas também um prejuízo para a formação científica no País.

Segundo reportagem de O Estado de S. Paulo, na Universidade Federal do ABC, em São Paulo, apenas três bolsas foram concedidas no ano passado, ante 551 em 2014, durante o governo Dilma Rousseff, – uma queda de 99,4% na concessão de bolsas pelo Ciência Sem Fronteiras.

“O governo tem tirado o pobre do orçamento sistematicamente e, agora, abre mão de investir na formação educação dos jovens brasileiros”
Senador Lindbergh Farias (PT-RJ), lider da bancada do PT no Senado

Para o vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Carlos Roberto Cury, a redução das bolsas ofertadas para alunos de universidades públicas é um desfecho “cruel” da crise econômica no País.

“A ciência perdeu a circulação de cérebros, o compartilhamento de conhecimentos e descobertas que havia com os intercâmbios. Porque os alunos da graduação se tornarão os futuros pesquisadores, o prejuízo na formação deles impacta na ciência”, disse.

Sem recursos para custear sua estadia no exterior, a estudante de engenharia civil Sttefany Schiavone, 21, planejava fazer um intercâmbio por meio do Ciências sem Fronteiras quando ingressou na Escola Politécnica (Poli) da USP em 2015.

O fim do programa, no entanto, a fez desistir da ideia. “Meus pais não têm condições financeiras de bancar um intercâmbio. Então, ou era o Ciências Sem Fronteiras, ou não tinha outro jeito”, diz. Segundo a estudante, a faculdade até oferece convênio com universidades estrangeiras, mas a maioria exige investimento por parte do próprio aluno.

Para o líder do PT no Senado, Lindbergh Farias (PT-RJ), a decisão do governo mostra a falta de preocupação do governo Temer e de seus aliados com o futuro do País.

“Nós alertamos, dizemos que isso iria acontecer. Cortes estão acontecendo nas áreas vitais do Estado e o cidadão pobre e que tem sofrido com isso. O corte na educação superior esse ano foi de 32%: caiu de R$ 13 bilhões em 2015 para R$ 8,7 bilhões este ano. E ficará em R$ 5,9 bilhões no ano que vem. O governo tem tirado o pobre do orçamento sistematicamente e, agora, abre mão de investir na formação educação dos jovens brasileiros”, criticou.

O ano de 2017, primeiro de vigência da Emenda Constitucional 95, vem revelando quão danosa tem sido a política do teto de gastos implementada por Michel Temer.

Durante a tramitação da proposta (PEC 55), texto que congela os investimentos públicos pelos próximos 20 anos, os membros da base governista afirmaram categoricamente que áreas prioritárias como Educação e Saúde não passariam por redução de investimentos em virtude da nova regra.

Apesar das declarações do governo, o País tem visto o oposto. Na área da educação, por exemplo, a gestão de Michel Temer já encerrou o programa Ciência Sem Fronteiras e acabou prejudicando o sonho de milhares de jovens pelo País.

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